RS: Evento sindical mostra força dos setores moveleiro e da construção civil

0
11

Encontro Nacional em Bento Gonçalves reúne dirigentes de 25 sindicatos de várias regiões; custeio sindical, igualdade de gênero e perspectivas do setor dominaram debates

A edição de 2023 do Encontro Nacional dos Sindicatos do Mobiliário e da Construção Civil, realizada nos dias 29 e 30 de agosto, em Bento Gonçalves (RS), mostrou a força desses setores ao reunir quase uma centena de dirigentes sindicais de várias regiões do país.

De acordo com Adriana Machado de Assis, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sitracom BG), o Encontro promoveu uma “verdadeira imersão em assuntos importantes para os trabalhadores do setor”.

A cidade gaúcha é considerada um dos maiores polos moveleiros do Brasil. O evento sindical é normalmente realizado a cada dois anos, e nesta edição aconteceu junto com as feiras Fimma (equipamentos de alta tecnologia para o setor moveleiro) e Movelsul (móveis).

“A avaliação foi muito positiva, principalmente referente à participação, com presença de cerca de 90 dirigentes de 25 sindicatos, quatro federações, confederação, com companheiros dos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Reencontrar amigos e fazer novas amizades foi um bálsamo para o nosso espírito sindicalista”, disse a presidenta do Sitracom BG.

Dentre os temas abordados foram destaques o custeio sindical, negociações coletivas, igualdade de gênero e as diferenças salariais das mulheres trabalhadoras. Participaram dos debates e palestras advogados e técnicos do DIEESE, além da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).

 

Igualdade de gênero na pauta

Um dos temas de destaque do Encontro foi o relacionado à igualdade salarial e questão de gênero dentro do setor moveleiro, com o debate sendo mediado pela deputada federal Maria do Rosário.

Segundo Marcelo Ferreira dos Santos, integrante da diretoria executiva da Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira da CUT (Conticom), o debate sobre a questão de gênero é essencial para o setor moveleiro que, segundo ele, é marcado por desigualdade contra as mulheres principalmente na questão do salário.

“O encontro foi enriquecedor para todos os sindicatos participantes, pois debatemos temas importantes, não apenas a questão dos direitos da mulher e igualdade de gênero no setor moveleiro, mas custeio sindical, sustentação, temas que precisamos de levar para as nossas bases”, disse o dirigente da Conticom.

Cenário promissor

A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado de São Paulo (Feticom-SP) registrou participação de destaque na edição 2023 do Encontro Nacional dos Sindicatos do Mobiliário e da Construção Civil. De acordo com Gilmar Antonio Güilhen, vice-presidente da federação, dos 25 sindicatos presentes, oito são filiados à Feticom-SP.

Güilhen destacou a importância de o evento ser realizado de forma concomitante com duas das principais feiras do ramo moveleiro do país, a Fimma e a Movelsul, pois isso permite aos dirigentes uma visão macroeconômica do setor.

“Visitamos as feiras como uma das atividades do encontro e lá podemos enxergar como o setor está se comportando. Se as empresas estão comprando equipamentos caríssimos, de alta tecnologia, é porque o segmento tem boas perspectivas. Quase todas as máquinas expostas estavam vendidas, o que mostra que o país está acelerando e o setor também”, avaliou o dirigente da Feticom-SP.

Para Gilmar Güilhen, a constatação desse bom momento do setor tem importância especial para o movimento sindical, principalmente para que no enfrentamento das próximas negociações coletivas os trabalhadores tenham dados para contestar os tradicionais argumentos patronais de dificuldades econômicas.

União do movimento sindical

Já o presidente do Sindicato dos Oficiais Marceneiros de Belo Horizonte e Região, Alberto Raphael Braga Neto, elogiou a retomada do evento após um período de paralisação e destacou a importância de o ramo seguir unido.

“Apesar de agora termos um governo em prol do trabalhador, não temos a maioria do Congresso, onde a luta vai ser muito dura. Saímos daqui confiantes e com a certeza que temos de mobilizar a nossa base para cobrar os congressistas para que sejam aprovadas pautas para o trabalhador”, diz o dirigente, que avaliou o evento como um momento de renascimento do movimento sindical.

 

Escrito por: Redação CONTICOM | Editado por: João Andrade